quarta-feira, 11 de abril de 2012

o Amor


Existem duas fases no amor: quando ele bate à porta e quando ele bate a porta. E lá está, mais uma vez, a nossa língua com as suas matreirices... como um assento muda tudo, tudo menos a dificuldade em se aceitar cada uma das situações.  Quando o amor bate à porta é tudo estranho, parece que o nosso cérebro se esquece dos amores passados e o nosso coração, esse esquece-se das desilusões que já sofreu. E então voltamos a sentir as borboletas na barriga, as mãos suadas e as maçãs do rosto coradas sempre que a pessoa vem e nos embrulha naquele cheiro que é capaz de nos levar à lua em meros segundos. O cérebro acha que nunca sentiu nada assim e o coração esquece-se de que já viu este filme. Voltamos a acreditar em histórias encantadas, em finais felizes e no Para Sempre. Achamos que o nosso amor é diferente de todos os outros, que é mais forte, maior, mais verdadeiro, mais isto e aquilo e que por isso vai ultrapassar todas as barreiras. Mas, mesmo assim, custa, custa chegar e abrir a porta para o amor, aceitar que ele (finalmente) chegou. Depois de o fazermos achamos que tudo volta ao normal, mas esta normalidade é bem mais colorida, cheia de arco-íris e de estrelas cintilantes. O amor entra. Começa por se sentar timidamente no nosso sofá e acaba a usar a nossa cama ou a abrir o nosso frigorífico como se em sua casa estivesse. Usa e abusa desta nova casa - o nosso indefeso coração. Quando se cansa, faz as malas, veste o casaco e vai. Sem aviso prévio nem tempo para despedidas. Vai e bate a porta, bate-a com ainda mais força do que aquela que bateu quando desejava entrar. E aí nós estremecemos, perdemos o equilíbrio e o nosso coração fica frio. Aí o cérebro lembra-se que não foi a primeira vez que isto aconteceu, mas inteligente como é, atira as culpas para cima do coração e diz que este é que o influenciou. O coração, sempre humilde, contenta-se com as culpas e fecha-se em copas. Acaba por sofrer sozinho. Quando isto acontece nós corremos a fechar a porta a sete chaves, encobrir as janelas e tapar os buracos para que mais nada, nunca mais, volte a entrar. Choramos, gritamos, sentimos ódio, sentimos rancor, sentimo-nos injustiçados e tudo o que queremos é esquecer e desaparecer. Todas as nossas convicções vão por água abaixo. Achamos que vai ser sempre assim e que não vamos deixar mais ninguém entrar de novo, porque não queremos voltar a sofrer e porque não nos imaginamos com mais ninguém além daquela pessoa. Ela parecia perfeita, feita à nossa medida. Juramos nunca mais fazer isto nem permitir aquilo. Tudo porque quando o amor bate a porta tudo muda, e nós voltamos à antiga normalidade, aquela onde não temos corações a rodear-nos, arco-íris a proteger-nos ou estrelas maiores a iluminar-nos as noites. E depois do luto, pensamos que vamos conseguir ser felizes assim, sem mais ninguém entrar, até que o amor volta a bater à porta e nós voltamos a esquecermo-nos que um dia ele vai bater a porta.

voltei!

Cubos de Açúcar, estive a última semana fora, e sem net, por isso é que desapareci daqui. Espero que a Páscoa tenha sido boa. Mais tarde publico um texto. gmdv

quarta-feira, 4 de abril de 2012

desabafo


Pior que chorar é não conseguir fazê-lo. É sentir que as lágrimas secam na mesma velocidade que a alma nos foge e o coração se esconde do mundo. É viver mil e um sentimentos ao mesmo tempo e ainda assim parecer que não se sente nada. É esta inquietação que hoje sinto. Esta vontade de deixar a vida no canto do prato e partir. Partir para outra dimensão onde tudo é diferente. Sem certezas. Sem vontades. Sem nada. Porque eu hoje sinto isso, sinto o nada e o tudo. Sinto-me bem e mal. Sinto-me horrível. Sinto-me incapaz. Sinto-me perdida. Na vida, no destino... e na morte. Sinto-me sozinha. Sinto-me desamparada. Hoje é assim. Hoje é um dia mau. É mais um dia em que as palavras suaves me fogem e a tinta sangrenta me esborrata o sorriso. É esta mistura de ingredientes que não vai chegar nem a salada. Hoje sou isto. Hoje sou uma pessoa de alma fugidia e coração sobrevivente. Sou eu, só eu, frágil. Sou eu sem saber o que fazer. Esta sou eu a sofrer mais uma vez... porque pior que o ver feliz com outra é saber que sofre por ela. É, esta sou eu. Revoltada com a vida madrasta que levamos que o tira de mim e o entrega numa alma que lhe faz mal. Oh, esta sou eu sem vontade e sem alegria. Hoje sou assim.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Hoje vou à Lua!

Este quadro foi-me oferecido pela minha prima no meu aniversário (foi ela que o pintou) e inspirou-me neste texto.
Hoje quero subir as escadas dos sonhos e sentar-me na lua. Quero ficar lá a olhar as estrelas de mais perto e ouvir finalmente as histórias que sinto que elas têm para me contar. Quero rir-me e abraçá-las com força. Quero dar um beijinho na testa da Lua para lhe agradecer as vezes que me dá a força que mais ninguém consegue dar. Hoje quero sair daqui e ir lá cima ver como andam as coisas. Quero perguntar às nuvens como vai a vida e saltar-lhes para cima, porque é assim que elas se sentem amadas. Quero cantar e dançar com essas companheiras de duras e longas viagens a que as pessoas cá na terra chamam de experiências de vida. Hoje quero olhar-vos de cima e dizer-vos adeus. Hoje quero ir ao céu e não sei se quero voltar. Quero sentir paz dentro de mim, quero sentir o vento acariciar-me os cabelos e a chuva lavar-me o sorriso antes de todos. Quero   partilhar segredos com a Lua e fazer pactos com as estrelas. Quero que as nuvens nos tirem fotografias para vocês verem o flash aqui de baixo. Não percebo porque é que as pessoas lhe chamam trovoada. Se calhar nunca foram lá cima, nunca se sentaram ao colo da lua acompanhadas das estrelas e pediram às nuvens uma fotografia para mais tarde recordar. Como quando vamos ao shopping e as crianças se sentam no colo do pai natal. Eu sento-me no colo da Lua, e ela embala-me ao som do bater do meu coração e aí eu sinto que há um motivo para eu estar aqui, mesmo que eu ainda não saiba qual é. Oh, é pena que eu nunca consiga descer as escadas dos sonhos sem perder essas fotografias, é pena, queria que vocês vissem o meu sorriso. É verdadeiro.