Às vezes nem sei se são as palavras que fogem de mim ou se sou eu que fujo delas. A verdade é que o meu coração tem tanta coisa para contar ao papel que eu tenho medo do que ele vai deixar escapar. Ultimamente, sempre que tento escrever quebro a promessa de deixar os destinatários de lado e volto a escrever-lhe. Sim, a ele. É que sabem... ele voltou à minha vida, de uma forma diferente, mas voltou. E eu tenho andado tão nas nuvens que oh, tenho medo que as palavras me atraiçoam e me façam levar com a chuva em cima. Não quero que o meu coração se iluda e eu sei que a escrita é rainha nisso. Escrever-lhe seria como deitar fermento no meu amor por ele e eu não quero isso. Não quero porque o que temos agora é amizade, só isso e nada mais. E é assim que eu quero que continue, não quero estragar nada com lágrimas nem revoltas, quero ficar assim. Com esta paz e esta alegria a emanar em mim. Por isso tenho fugido das palavras, ou as palavras (certas) têm fugido de mim. Não sei bem. Acho que preciso de um tempo de pousio. Preciso de parar para recomeçar, ou então isto vai deixar de dar fruto. Não sei quanto tempo demorará, nem se demorará algum tempo ou se amanhã já volto aqui com as palavras guardadas no bolso. Sei que tenho que ir lá não sei onde e voltar com as ideias no lugar e os sentimentos arrumados. E aí, aí pode ser que volte a dançar de mãos dadas com as letras ao som da caneta a roçar no papel. Quem sabe. Até lá, "façam o favor de serem felizes" cubos de açúcar.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
chegou a hora do pousio
Às vezes nem sei se são as palavras que fogem de mim ou se sou eu que fujo delas. A verdade é que o meu coração tem tanta coisa para contar ao papel que eu tenho medo do que ele vai deixar escapar. Ultimamente, sempre que tento escrever quebro a promessa de deixar os destinatários de lado e volto a escrever-lhe. Sim, a ele. É que sabem... ele voltou à minha vida, de uma forma diferente, mas voltou. E eu tenho andado tão nas nuvens que oh, tenho medo que as palavras me atraiçoam e me façam levar com a chuva em cima. Não quero que o meu coração se iluda e eu sei que a escrita é rainha nisso. Escrever-lhe seria como deitar fermento no meu amor por ele e eu não quero isso. Não quero porque o que temos agora é amizade, só isso e nada mais. E é assim que eu quero que continue, não quero estragar nada com lágrimas nem revoltas, quero ficar assim. Com esta paz e esta alegria a emanar em mim. Por isso tenho fugido das palavras, ou as palavras (certas) têm fugido de mim. Não sei bem. Acho que preciso de um tempo de pousio. Preciso de parar para recomeçar, ou então isto vai deixar de dar fruto. Não sei quanto tempo demorará, nem se demorará algum tempo ou se amanhã já volto aqui com as palavras guardadas no bolso. Sei que tenho que ir lá não sei onde e voltar com as ideias no lugar e os sentimentos arrumados. E aí, aí pode ser que volte a dançar de mãos dadas com as letras ao som da caneta a roçar no papel. Quem sabe. Até lá, "façam o favor de serem felizes" cubos de açúcar.
domingo, 22 de abril de 2012
quarta-feira, 18 de abril de 2012
eu, a biblioteca e as palavras
É engraçado como já frequento este sítio há imenso tempo e nunca me deu para escrever aqui. Aqui que estou rodeada de livros, num silêncio que me deixa ouvir a chuva a bater na janela e a cair na calçada. Aqui onde tantas pessoas se sentam a ler o jornal, onde tiram o computador das mochilas pesadas e fazem os trabalhos de grupo, onde universitários passam a época antes dos exames rodeados de folhas e canetas, onde estudantes do secundário serenam nas tardes livres e nas vésperas dos exames nacionais, aqui onde nos sentamos no sofá e devoramos mais um livro, aqui onde tenho passado os meus dias, aqui, na biblioteca. Nunca me deu para sacar do papel e deixar-me levar pelo prazer de sentir a caneta acariciar-me os dedos e as palavras saltarem de alegria ao sentirem-se livres enquanto milhares de história me encobrem o coração, mas digo-vos, é uma sensação maravilhosa. É aquela sensação de estarmos a jogar em casa, sabem? É como se olhasse para os livros e eles sorrissem para mim, como se estivessem a agradecer-me por deixar aqui mais umas dúzias de palavras a fazerem-lhes companhia. É tão bom, e por mim continuava aqui a deixar que a minha alma se estampasse nesta folha enquanto sentia a paz crescer em mim. Por mim ficaria aqui a escrever... eternamente. Mas as folhas com centenas de exercícios estão a chamar por mim. A chamar? A gritar, digo.
Ultimamente tenho escrito muito sobre isto, não tenho? Sobre as palavras, sobre a escrita, sobre o papel e a caneta. Eu sei que sim, coisas da falta de inspiração.
domingo, 15 de abril de 2012
O coração e as palavras
Quando o meu coração anda aos pulos, as palavras fazem o mesmo. Quando o meu coração está desarrumado, as palavras também se perdem nas entrelinhas. Quando o meu coração aperta, as palavras também se encolhem num cantinho bem escondido da minha vida. Quando o meu coração quer fugir, as palavras fazem-no mesmo, fogem, correm, atropelam-se e magoam-se. E aí o meu coração magoa-se com elas. E é assim. As palavras e o coração, o coração e as palavras, como se fossem um. Estão na vida um para o outro como está a faca para o queijo, como está o açúcar para o café, como está uma mãe para um filho ou como está a lua para a noite. É por isso que fujo daqui. Fujo deste coração sem açúcar porque o meu anda aos pulos, está desarrumado, apertado, com vontade de fujir, e às vezes, com vontade de deixar de bater... e as palavras, oh essas acompanham-no, sempre de mãos dadas e de almas coladas. A culpada sou eu, sei-o de cor. Fui eu que os eduquei assim, como amantes eternos, e agora padeço desta dependência colossal que os une numa linha invisível, que os une um ao outro e os leva daqui até ao infinito. É tudo muito bonito quando o coração serena e deixa que as palavras lhe cantem ao ouvido. Mas quando ele não está bem, quando a vida lhe parece um frete e quando se cansa de bater, aí até faz faísca. Aí até as palavras se encolhem e arrepiam só de se aproximarem. E a mim... a mim dói-me. Dói-me expor-me numa folha branca. Porque na verdade, é assim que me sinto, uma folha branca. E preenchê-la, deixar que a escrita a decore, é como negar aquilo que eu hoje sou. Mas mesmo assim, aqui estou. Aqui estou a preencher uma folha branca, a sentir as faíscas no meu coração, e as palavras a temerem saírem-me pelos dedos. Mas aqui estou, porque isto é mais forte que eu. Escrever é mais forte que eu. E eu odeio não controlar este vício, ai como odeio.
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