E quando me sinto fraca é aqui que me fortaleço. É na cidade da escrita a sentir o vento da inspiração percorrer-me os cabelos e estremecer os dedos. Esses tremeliques que nos dão quando as palavras se acumulam na ponta dos dedos à espera que as portas se abram. À espera que a alma acorde e lhes dê atenção. E então sento-me no banco de jardim onde me descarregam o coração e lavam o sorriso. Vejo as flores crescerem, os frutos a nascer nas árvores e o quanto é bom, o quanto é bom saber que não estou sozinha nesta jornada. Aqui não vivem seres humanos, completos, íntegros, inteiros. Aqui vivem almas, aqui vivem corações. E quando nos despimos daquela pele que nos encobre os podres na cidade da vida real, quando aqui entramos, somos todos tão parecidos. Temos todos tantas cicatrizes. Temos todos tantas feridas, umas curadas e outras ainda em carne viva. Somos todos tão frágeis. Somos todos tão nós. E é lindo viver aqui. É lindo mesmo. Se eu pudesse mudava-me para cá, assim num tempo chamado eternidade. Seria tão feliz nesta cidade da escrita. Mas não posso, não é? A cidade da vida real não deixa, ela dá-nos permissão de visita, nunca de permanência. Até parece que fazemos lá alguma falta. Eu cada vez acho mais que lá não faço falta nenhuma, aqui sim, aqui faço. Aqui onde a escrita corre nos rios, voa com os pássaros e brilha com as estrelas. Aqui onde por muito que as almas se escureçam e os corações sangrem somos felizes. Aqui onde eu me sinto em casa. Aqui.
terça-feira, 27 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
desculpa-me por me esquecer tantas vezes de Ti
Olá Jesus. Sei que ultimamente não tenho falado contigo, é que sabes... ando meio zangada com o mundo. Percebi isso hoje, percebi hoje o que se passava comigo. Não consigo aceitar que isto me esteja a acontecer não é? Logo a mim, logo eu e porquê eu, eu que Te amo tanto Jesus. Estava revoltada contigo. Mas já não estou, fizemos as pazes hoje mal entrei naquele sítio onde há cinco semanas senti o Teu amor abundar-me a alma e senti um arrepio na espinha. Sei que estás comigo e oh, eu sou tão injusta contigo não sou? Nós somos tão brutos contigo. Esquecemo-nos que Tu também sofreste por nós, que caíste três vezes e levantaste-te quatro. Esquecemo-nos dessa prova de amor que nos deste. Esquecemo-nos de ser como Tu e de distribuir amor por aqueles que precisam, esquecemo-nos do perdão encostado num canto do coração e esquecemo-nos de fechar as gavetas do ódio. E mesmo assim Tu ficas aí, encostado nas esquinas do caminho da felicidade à espera que nós, criaturas ingratas, nos lembremos de Ti. Sabes quais são os meus compromissos contigo, sabes a vontade que hoje trago comigo para os cumprir... só Te peço que me ajudes. Não Te vou pedir que não me abandones nem que fiques comigo, porque eu sei que cumpres isso mesmo sem que eu Te peça. Porque Tu sabes o que é amar, e só Tu. Nós não percebemos patavina desse sentimento. Amar quem nos ama é muito bonito... e amar quem nos odeia, e amar os nossos inimigos? Pois. Isso sim é amor e nós não sabemos fazer isso. Não sempre. Não sem esforço. Não sabemos. Mas eu não desisto, sim? Eu vou lutar por Ti como Tu lutaste por nós. Não prometo que cumpra, mas prometo que tente. Por fim, obrigada por este dia JC, obrigada pelo dom da vida.
quem não acredita, respeita. obrigada.
sábado, 24 de março de 2012
não me percas do coração
Sabes, arrependo-me todos os dias de ter aceite namorar contigo, arrependo-me todos os dias de ter posto em causa a nossa amizade e querer mais que isso, arrependo-me da coragem que tive ao dizer-te aquele sim. Arrependo-me sempre que acordo até me deitar. Sabes porquê? Isso destruiu-nos. Destruiu aquele laço que nos unia além da Terra num sítio chamado paraíso, aquele laço que nos tornava diferentes de todas as amizades com que a História já contava. Destruiu a nossa cumplicidade, destruiu a nossa confiança. Destruiu-nos por dentro e por fora. E lembras-te de eu te dizer que não sabia viver sem ti? Acho que não sei mesmo meu amor. Não sei viver sem te contar tudo e perguntar-te sempre o que achas que devo fazer. Não sei viver sem aquele que era o meu melhor amigo. Diz-me se ele ainda vive aí. Se ainda sentes o bater do coração dele. Se ainda te preocupas comigo. É que não o demonstras e eu fico aqui, perdida. Sem ti e sem ninguém. Porque só tu me compreendias, só tu. Tu prometeste-me que nunca me ias deixar, e estás a deixar-me agora, pela segunda vez. Estás a deixar-me ir. Estás a deixar-me perder-te e perder-me. Estás a deixar-me entregue à maldita vida. Não foi isso que combinamos. Porque é que estás sempre a falhar-me? Porque é que já não és como o homem da minha vida? Eu disse-te que te podia perder como namorado, mas nunca como melhor amigo, e tu dizias-me sempre ao ouvido, e não vais perder xuxu. Estou a perder-te... onde é que erramos meu anjo, onde? É que sabes... esta saudade de ti não passa e a vontade de te escrever já me esmaga a alma. E eu não sei mais o que fazer. Sinto-me... aliás, não me sinto, sem ti eu não me sinto, é isso.
sexta-feira, 23 de março de 2012
yes, I'm lost
Tenho medo. Tenho medo disto que sinto. Medo desta felicidade que esconde todas as dores que ainda aqui vivem, tenho medo que este não seja o caminho certo e de me espetar a alta velocidade num muro de memórias passadas. Sei que fugir não é opção, mas é assim que eu consigo viver, é assim que eu consigo chegar ao céu e tocar na lua, sentir-lhe o amor que me tem e poder saltar nas nuvens ou pendurar-me nas estrelas enquanto ela sorri, enquanto sorrimos. É assim que eu sinto a paz interior emanar em mim e transbordar-me o coração. É a fugir da realidade, é a fingir que já não me importo, a fingir que esqueci. É assim nesta ironia que carrego esta cruz que chamam de vida. Eu não irei nunca escolher sofrer. Isso dói. Isso magoa. Isso... isso rouba-me a alma e deixa-me perdida nos confins do destino, sem sentido, sem vontade de viver, com medo de respirar e com raiva de o coração continuar a bater. Isso não, isso eu não quero, não quero mais sofrimento, não quero mais lágrimas. Quero continuar assim, mas quero continuar assim sempre. Quero que isto passe sem mais grutas escuras onde a dor insiste entrar nem caminhos encobertos onde fujo da morte. Quero que isto se vá assim, como um pássaro que vai e não volta, como as folhas que caem no outono, como as flores que murcham no verão, como qualquer coisa mas que vá. Simples assim. Que vá e não volte. Eu só quero ser feliz sem medos, ser feliz sem mentiras, ser feliz apenas, é pedir muito?
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